Ao contrário do que postei há mais de um mês atrás, já no post scriptum, não irei falar sobre os desmandos de Dudu. Não que eu ache que ele já tenha sido espancado demais pela opinião pública, pela oposição na Câmara ou pelos jornais locais (que, aliás, são a opinião pública, mas é bom que se faça diferença entre Liberal, Diário e - sei que muitos o consideram inexpressivo, mas – Jornal Pessoal, a folha de Lúcio Flávio Pinto), mas é que já estou há muito sem postar e não queria que minha volta fosse ligada àquele falsário renomado, inapto mandatário de nosso município. E outra: eu sei que sempre é bom discutir nossos problemas diários (que estão se tornando diários problemas), entretanto eu não quero me tornar mais um “Espaço Aberto” ou “Quinta Emenda” da vida, até porque eles já fazem uma análise política, social e econômica a contento (muito bem mesmo, leiam).
Ah, antes de começar, me desculpem o atraso. O Pedro Nelito (ou Citadinokane) é um grande blogueiro, professor de Direito e admirador (e entendedor, diga-se) de literatura, música e futebol (três de minhas paixões, também). Achei o blog dele graças ao Quinta, e gostei pra garaio (expressão roubada do Pedro), mesmo. Disse que ia linkar o blog dele, ele leu aqui o Contra o Tempo, gostou, e eu deixei de postar. Então ele reclamou dessa minha demora (realmente, mais de um mês...). Já justifiquei (inclusive esse link é de um post sobre o meu blog, onde tem uma imagem muito BOA – muito obrigado pela divulgação, Pedro!!). E acho que o meu melhor pedido de desculpas é este texto.
Bem, creio que o assunto deverá interessar algumas pessoas, outras não, outras quiçá num futuro próximo (ou distante). É meio difícil de introduzir essa matéria, então vamos direto ao ponto: a sociedade patriarcal (e machista e blablabla) ainda sente muita dificuldade em aceitar que uma mulher mais velha se una a um homem (menino?) mais novo. Cheguei a essa afirmação não por acaso (mas isso não vem ao caso e caso você esteja lendo, meu caso, um beijão pra ti): dei uma pesquisada aqui pelo google em algumas reportagens e encontrei opiniões diversas. Gente que pensa que o cara quer se aproveitar da estabilidade afetiva e financeira de uma mulher mais velha; que justifica biologicamente esse fato, dizendo que a expectativa de vida da mulher é maior que a do homem, tendo ela, portanto, mais possibilidades de se relacionar com homens mais jovens; que diz que a mulher só procura por homens mais novos porque o “mercado”, quando se chega próximo dos quarenta, está bem menor (já que os homens dessa idade geralmente encontram-se comprometidos); entre outras (várias) explicações, na maioria das vezes preconceituosas e, mesmo quando saídas da boca de uma mulher, machistas.
A opinião que mais me interessou e a que eu julguei mais isenta foi a de Martha Medeiros (minha xará de sobrenome). Ela dizia que em toda a relação existe uma espécie de interesse. “Um casal que tenha a mesma idade tem ‘interesse’ em ter filhos, por exemplo. O que deve ser levado em conta nem é tanto a diferença de idade, e sim a diferença de necessidade: se um cara está se relacionando com uma mulher 20 ou 30 anos mais velha, não pode querer que ela lhe dê filhos, por exemplo”. E ainda fala daquela história batida do interesse financeiro engendrado pelo homem mais novo em relação à mulher mais velha: “não acredito que uma mulher de 60 com um garoto de 30 anos possa acusá-lo: “Ele se aproveitou de mim”. Que inocência é essa? Todo mundo aproveita a situação a seu modo, e isso não precisa ser lavrado em cartório, é um pacto silencioso.”
A minha intenção, prioritariamente, não era discutir esse tipo de relacionamento onde existe uma diferença gritante de geração, mas de idade apenas, uns 7, 8 anos no máximo (o que já é suficiente para relação correr a boca miúda). E acabei concluindo que diferença de idade não quer dizer nada porque ninguém nada quer dizer a respeito, o que não ocorre com a diferença de geração. O que vocês acharam da Suzana Vieira com aquele policial cheirador de pó? (todo mundo saiu comentando, jogando pedra nos dois) E a Julia Lemmertz com o Alexandre Borgesm (diferença mínima)? Vai ver que ninguém sabia que ela é mais velha 3 anos que ele (soube só agora, também). No meu ponto de vista, não creio que idade seja fator preponderante. Diferenças mínimas, como já disse, são imperceptíveis e não há por que ter medo. Agora, lógico, que em uma relação onde existam duas gerações distintas, existirá um momento em que isso irá pesar (principalmente estética e biologicamente). E quando isso acabar, ambos devem estar cientes de que não houve um afastamento porque tenha sido um relacionamento danoso, mas que foi chegada a hora em que os interesses se incompatibilizaram.
Mas, ainda assim, não satisfeito com essa conclusão, recorri a uma opinião superior, com noventa e três anos de experiência nas costas, de uma pessoa que viu passar, diante de suas córneas, democracias, ditaduras, guerrilhas, guerras, casos e causos de amores, paixões e afins, enfim, o patrimônio histórico-cultural de minha família: minha bisa, a marajoara “vó Sinhá” (ela odeia que a chamem de Raimunda Benassuly...). O conselho dela foi o mais engraçado porque ela aproveitou pra contar a história de uma tia (ou prima, não lembro), muito prendada (ou seja, costurava, cozinhava divinamente, lavava, passava, se perigasse ainda lambia o chão por que o marido andasse), que tinha casado com um homem mais novo e ela sofreu bastante, porque ele viva enfeitando a cabeça da coitada. E desfechou: “não te casa com mulher mais velha, porque vais fazê-la sofrer!”. A bisa está correta até certo ponto, mas o que queria destacar desse ponto de vista (um pouco simples demais) é o olhar voltado para a mulher, para o sofrimento da mulher, como se ela fosse ainda um ser frágil nesse tipo de relação, inocente mesmo, deixando-se levar pela conversa de um moleque. Mas é um argumento com algum mérito, já que é costume das pessoas mais velhas (principalmente de mulheres por volta da idade da minha bisavó) dedicarem-se a proteger os homens, mesmo que seja um posicionamento que as prejudique (para elas é importante manter aparências, incólume a imagem do homem, que é a representação máxima da família), o que não observei na interpretação da mais experiente mulher que conheço.
Agora, passo a bola pra quem quiser discutir um pouco isso, daqui em diante. Isso é mais gostoso pros psicanalistas, psicólogos, psiquiatras, psi, psi, psi... Falando em psique, é curioso ver um psi-alguma-coisa analisar o amor, os relacionamentos em geral, porque psique (alma, diretamente do grego, ou mens, mentis, que no latim significa também razão) sempre foi o oposto do amor, representado na mitologia por Eros (cupido, filho de Afrodite, deusa do amor, que gerou as atuais expressões referentes à palavra erotismo). Como algo exato e pragmático, como a razão, pode avaliar a instabilidade do amor? É um pouco contraditório, mas foi a única forma que encontramos para solucionar esse tipo de questão. Tudo tem um sentido sem sentido, algo de paradoxal em nossas relações. Talvez a contradição exista, porque precisamos de muita razão pra poder amar em paz, de verdade, perdidamente.
P.S.: Muito obrigado ao Pedro, por me incentivar a retornar. E pela divulgação foda!
P.S.2: Abraços e beijinhos a loraC, minha capoeirista predileta.
Escrito dia 21/04/09, às 13h38min