Ônibus, missa: o retorno.

Depois de um longo tempo sem freqüentar uma missa dominical, quebrei, hoje, o jejum. Foi como voltar a postar no blog, voltar de um fim de semana em Salinas, uma renovação. É bom que continue a ir, que não seja caso isolado, porque, mais do que nunca, preciso me espiritualizar. É uma necessidade humana, mesmo quando não se tem religião

E está sendo bom, neste momento, voltar a escrever na rua. Estou num ônibus, agora. Os últimos posts foram escritos na cozinha, no quarto, ou na frente do computador. Um pouco frios, concordem. Os primeiros foram escritos assim, mais viscerais, sacolejantes, como esta condução. Fazia tempo que não andava de ônibus, sentia o gosto da rua, das pessoas (motivo primeiro de eu ter começado esse blog).

Já na Pres. Vargas, uma de minhas ruas preferidas, sinto falta de um domingo na praça, até das pessoas comprando bugigangas e eu comprando Jornal Pessoal direto da banca do Alvino. Mas me agrada também o subúrbio, que é pra onde estou indo: minha casa, meu alimento.

Estou entre o centro e o subúrbio. Estamos entre o caos e a selva. O que é pior? Art Nouveau com trombadas? A barbárie delicada? Muito complexo. Côncavo. Convexo.

 

P.S.: Outro dia volto a falar de ônibus (mais exatamente uma conversa que tive com uma amiga, tão apaixona por coletivos - não os de Belém, que são sinônimo de tranquilidade em raros momentos - quanto eu). Abaixo, o ônibus (zeppelin) que circulava em Belém nos anos 50 e 60:

The only dirigible-like Triumphant Transport System Belem bus working. abril 1957

P.S.2: vocês ainda acreditam na pesquisa do Ibope?

Escrito às 22h00min do dia 30/08/2009

Technorati Marcas: ,,,

Blog Day

Blog Day 2009Bem, hoje é o BlogDay. O "evento", que acontece no mundo todo, visa que os leitores dos blogs possam usufruir de outras leituras. Por exemplo: eu, com meu blog sobre impressões pessoais, crônicas, literatura, mais voltado pra arte de alguma forma, devo indicar um blog sobre política, religião, sei lá. Ei-lo:

1. Blog do Gilton Paiva

Gilton está sempre bem atualizado quando o assunto é política. Sua página já é sucesso pela blogosfera e eu recomendo!

2. Filosofia de ônibus

Idéias, relatos, experiências. Um Blog legal que achei na comunidade Blogueiros Paraenses

3. Rebloggando

Um espaço musical, intelectual e cheio de notícias frescas. Esse é o Blog da Re, minha leitora recente.

4. Bitácora

Como o próprio dono diz: um caderno de navegação na web. Escrito por Pedro Paes Loureiro.

5. Indie de Boteco

O Blog da baterista, designer, poeta, sábia e fumante Rê Caraih. Bastante pessoal, visceral e plasticamente bonito.

 

Just that! Espero que gostem!

Technorati Marcas:

Que fim levou o nexo?

Voltar às aulas, às tensões e às atenções (ãos?) do cursinho, está me fazendo bem. Estava um saco essa falta de regra e de horário das férias (mentira canalha). Bem, mas foi “só um comentário nada a ver”. Nada a ver com o eu irei escrever. Ou não....

Quer dizer... Tem!

Gripe suína! O que acham? Tem gente que deixou de comer carne de porco... O quilo do suíno despencou. Coitado! Boa notícia para os apreciadores do bom porquinho, do torresminho, toucinho, bacon e costelinha, como eu e toda a torcida do Fluminense (a maior do mundo intelectual, hehe). Coitado, de novo, do leitão [imagem].... Ele não tem culpa no cartório, juro!

E tem gente (eu) que vive esfregando álcool gel na mão, com medo da influenza. É mais fácil eu influenziar do que me influenziarem (os argentinos, diga-se, são bem mais influenziáveis – leia-se como um indivíduo fanho, mesmo, de gripe). Acho que o sotaque paulistano deve ter alguma coisa a ver.

Coisa. Que palavra misteriosa. Coisa, quando nos bate a burrice, por vezes, vira verbo. Não convém dar exemplos, né? Mas fica mais difícil ainda quando entra o negócio. “Olha! A coisa vai entrar no negócio”. (WTF???)

Juro, banca, que não vou escrever assim no vestibular, prometo, aliás (porque jurar, diz o vulgo, é pecado)! Tenho que seguir a cartilha.... Estou confiante com relação à redação... É coesa, coerente, metódica, certinha, mecânica, até. Diferente desse texto, um pouco simples demais à primeira vista. Não que tenha um criptograma aqui, longe disso, mas, ainda com todas as minhas falhas e minha evidente imaturidade com as palavras, esse é um texto que deverá ser lido umas duas vezes para ser desvendado totalmente. Que tal um jogo?

Bem, se vocês não acreditarem na minha palavra, tudo bem. Ouvi alguém dizer (não foram meus pais) que tudo o que o (um) homem possui é a sua palavra. Deve ter sido em algum enlatado americano. Ah, gosto de um pensamento de Dostói [foto], saído da boca de Ivan Karamazov (falando em pais, pai): “Quem é que não deseja a morte de seu próprio pai?”. 

Verdade irrepreensível?

O cacete.

“Toda verdade é vil e vã”, não é mesmo, Carlos Correia Santos? E “toda a unanimidade é burra”, né, Nelson? Acho que foi a única merda que o Nelson Rodrigues disse, escreveu, sei lá. Deve ter sido num momento parecido com o meu, agora.

Parece que estou voltando a escrever como no começo. Um pouco louco, meio aleatório, sincero. Espero que isto não esteja sendo chato, sacal, para quem está lendo, ou vier a ler, isso aqui. Sabe, começo a pensar sinceramente na possibilidade de trancar esse blog e as minhas idéias como fez a Val, em Valkie, tempos atrás, permitir que só os amigos entrem, batam à porta desta singela casa, mera cripta dos meus devaneios tolos. Aqui, senhores, é espaço para poucas almas, carnes raras, honestas e simples. Uma dose de loucura e humildade não faz mal a ninguém. Tim-tim.

 

P.S.: 1000 visitas! Wiiiiiii!

 

Escrito no dia 12/08/2009, às 11h45min

  • Crônicas

Não é justo

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Não é justo que eu tenha que escrever novamente em função de mais uma (triste) morte. Porém, não escrever sobre o que representa essa perda seria pecado, heresia de blogueiro. Quase uma semana após a morte de Juvêncio Arruda [foto], ou Juva, ou, ainda, Juca (não tinha toda essa intimidade), é complicado abrir o firefox (merchan, tamo aê!) e lembrar que nunca mais teremos a inteligênica do Juvêncio a enriquecer nosso censo político, a nos deixar bem informado sobre o que acontece nos bastidores de nossa política, a denunciar os desmandos históricos impostos por nossos políticos em todas as escalas do poder. É complicado imaginar uma outra figura (tirando o Lúcio Flávio) que tenha tanta paixão por esse tipo de denúncia, que tenha paixão pela busca da resolução dos problemas sociais que assolam nosso estado, nosso país, que cumpra o difícil papel de fazer jornalismo de verdade, feito com o coração, com o juízo, com a alma, com responsabilidade e justiça. Incrivelmente nenhum jornalista diplomado tem essa coragem: Juva (permita-me) era formado em economia e Lúcio Flávio é sociólogo (dá pra entender, agora, por quê ninguém precisa de diploma pra exercer a profissão?).

Ademais, é muito difícil, para mim, não poder ter tido muito contato com o Juva e pensar que nunca mais vou ter essa oportunidade.

Antes de começar pra valer com este blog, pedi uma opinião do “mestre dos blogs”, por email. Guardei com carinho sua resposta, aqui reproduzida:

 

Oi,Matheus, desculpe a demora em responder seu e.mail.

Vamos nos conhecer qualquer hora dessas, vai ser um prazer.

Olha, gostei do blog. Sincero, quase visceral...rs..e muito bem escrito.

Pise fundo, e quando vc achar que tá no ponto me avise prá eu linkar no Quinta.

Vc é parente do Bruno? Se positivo, quando falar com ele mande-lhe um grande abraço. Trabalhamos juntos numa produtora de tv, e tempos depois ajudou-me na resolução de um problema, que jamais poderei pagar.

Abs

(11/02/08)

Jamais esperei escrever sobre isso, dessa maneira, nesse momento. Vai ser um prazer te conhecer qualquer hora dessas, Juvêncio, quando, daqui a umas décadas, ou amanhã mesmo (repentinamente, como foi contigo), eu for chamado pro outro plano.

Segue em paz, Juva!

 

Escrito no dia 22/07/09, às 21h00min

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Michael Jackson is dead (AU!)

Acho que essa é a notícia que mais ouviremos durante esse mês: Morre Michael Jackson. Ou, mesmo: Michael Jackson está morto. Ou, ainda (para os americanizados): Michael Jackson is dead. Pois é, morreu.

Sempre, desde moleque, quando pensava em M.J., me vinha aquela clássica dancinha do Thriller, ou o clássico moonwalk, à cabeça. Ainda tinha o Beat It, ele se levantando ultra-rápido daquela cama no início do clipe. Ah, tem a abertura do Vídeo Xô, também. Tem a cara de lobisomen, ainda no Thriller. Tem os gritinhos (Au!), as crianças bolinadas e Neverland. As luvas, a máscara de bandido do velho oeste, pra se proteger do sol, vitiligo, cara de Zira do Planeta dos Macacos, corpo franzino, nariz... Que nariz? E milhões de discos vendidos. Um mito. Controverso.

Michael morreu jovem. Com 50 anos, e com tanto dinheiro, ninguém pensava, sequer cogitava a possibilidade da morte de Jackson. Michael estava muito frágil, muito magro, o rosto (obviamente) deformado. Acho que aqueles buraquinhos, que uns chamavam de nariz, nem funcionavam direito. Qualquer esforço físico nos exige oxigênio... Será que “aquilo” podia recolher ar suficiente para dentro dos pulmões de Jackson? Quer dizer, o cara devia ter dinheiro pra dançar com uma máscara de oxigênio no rosto... Ou, de repente, com uma traqueostomia, sei lá... Sei que essa minha suposição beira o ridículo, porque não sou médico e não tenho capacidade de supor alguma coisa. Isso não passa de achismo de um leigo...

Agora, outra morte, menos comentada, mas igualmente triste, foi a de Farrah Fawcett, a pantera loira, sonho de qualquer adolescente espinhento dos anos setenta. Foi um dos ícones daquela época, mas caiu em um certo ostracismo. Mais uma vez o mercado ditando as regras no mundo artístico. A luta de Fawcett era contra um câncer, tal como na batalha de Walter Bandeira, falecido no início desse mês. Sempre iremos lembrar com carinho dessa musa dos enlatados-americanos-da-época-da-guerra-fria.

Deixa-me parar por aqui, porque esse negócio ta parecendo obituário do N.Y. Times.

Bem, coisa que me deixou alegre foi a redução da taxa SELIC. Outra foi a bela e merecida aprovação no vestibular da Universidade da Amazônia de quatro amigos meus: Hellen-chan, Sandra, Amanda e Camilo. Parabéns, sinceramente. Parabéns, também, ainda que tardiamente, ao Chico Buarque, que aniversariou dia 19/06 (junto com minha irmã), completando 65 anos de música, literatura, teatro e cinema.

 

P.S.: Tirem os olhos da América e voltem-nos para a África. Assistir a copa sempre nos foi mais proveitoso e alienador.

A vida em 3 fatos

Olha, essa semana foi punk. Tanta coisa acontecendo, desacontecendo, morrendo, vivendo. Mas três detalhes desse turbilhão de fatos eu irei registrar aqui. O primeiro, como não podia deixar de ser, só porque sou belenense, é a exclusão de Belém como uma das sub-sedes da Copa de 2014. Não gostei da notícia, porque tinha muita esperança. Não a simples esperança da maioria em assistir alguns jogos do evento, mas a esperança de modernizar Belém: desafogar o trânsito, educar a população, embelezar a cidade, entre outras benesses a que iríamos alcançar em cinco anos apenas (agora, só daqui a uns vinte, se houver interesse). Só assim pra darem um jeito na cagada que é viver em Belém.

Temos, sim, muitas qualidades, estávamos credenciados a sediar um megaevento. Mas faltou interesse político, faltou malícia. Me resumo a este comentário porque acho muito cinismo da imprensa meter o pau na organização do governo e da prefeitura (espera, não estou dando colher de chá a ninguém). A preparação, a articulação, os projetos, podem até ter sido insuficientes, mas não é muito coerente essa depredação, esses ataques e tanta ironia contra o Estado. Não está sendo coerente porque todos nós tínhamos muita esperança na escolha de Belém pela FIFA. Ninguém falava nada sobre incompetência, desânimo, falta de organização, ingenuidade... Muito pelo contrário: nos gabávamos, dizíamos que as previsões de Anselmo Góis estavam erradas, questionávamos as deduções de Juca Kfouri. E a imprensa local não economizou elogios e sentimento de esperança a quem quer que lesse esses nossos tablóides de domingo a domingo. Porque não meteram o pau antes? Ah, porque vai que Belém era escolhida... Olha a merda... Vão tomar banho! (todos, viu? de O Liberal ao Quinta Emenda)

Bem, em segundo lugar, quero falar um pouco sobre o triste caso do vôo da Air France. Uma lástima. Quando soube do desaparecimento, pensei em Lost; pensei na Europa; pensei no desespero; na morte; no oceano; na libertação; na superioridade do Homem; em sua fragilidade; em monstros marinhos; em monstros interiores; em fogo; em ar; em pó. Ao pó retornaremos. Só.

Agora, pra encerrar, algo que me deixou mais puto que a burrice da FIFA, mais assustado que com o episódio da Air France, mais choroso que em término de namoro: o calvário de Walter Bandeira. Pra quem nunca tomou açaí no “Verópa”, tacacá no “Naza”, nunca acompanhou o Círio e paraense não é, Walter Bandeira é um dos melhores intérpretes de nossa música. Quando nos restringimos as vozes masculinas, vence todos de lavada. A melhor voz, o melhor showman, o melhor crooner e, dizem, uma pessoa fantástica de se conviver, bater um papo, ser amigo. Eu, infelizmente, nunca cheguei perto do Walter, nunca dividi uma conversa ou um cigarro com este gênio de nossa música. Uma pena. Minhas orações são todas pra ti, Walter. Sai desse hospital!

P.S.: Caguei, hoje cedo, em homenagem ao Dudu.

Escrito no dia 02/06/09, às 11h55min

Quando escrevi, de manhã, este texto, ainda não havia chegado em casa. Ainda não tinha ouvido, no

carro, a notícia mais triste do mês de junho, na Feira do Som do Edgar Augusto: a morte de Walter Bandeira. Walter nos deixou em decorrência de um câncer no pulmão, sendo internado hoje, pela manhã, no Hospital Porto Dias, com quadro de insuficiência respiratória. A voz grave que todos os dias ouvimos na cultura, na maioria de suas vinhetas, do Jornal da Manhã ao Discoteca, permanecerá a nos rondar a mente, como uma trilha em nossa memória, em nosso imaginário. Walter Bandeira não morreu, virou uma constelação.

Novamente

Ultimamente, uma das únicas coisas que tem me dado tesão é o cursinho; é estudar nos três turnos. Estive pesquisando sobre o curso que irei tentar esse ano: direito. É que são muitas as dúvidas: se é um bom curso, se vou me identificar, como é a profissão, se dá grana, etc.

Visitando um “site de respostas” (não precisa eu dizer que é o “yahoo answer”, prontofalei), encontrei alguém com dúvida sobre que carreira seguir depois de formado e encarteirado pela OAB. Pareceu quase unânime que, na advocacia, a mina de ouro é o Direito Tributário. Não sei, mas parece que não vou ter vontade de conviver com cálculos numa profissão essencialmente interpretativa (ainda mais sendo eu essencialmente subjetivo, com uma atração fatal por letras e pelo viés artístico da palavra). Sei que isso não envolve meramente calculo. É preciso estar sempre atualizado, lendo bastante. Sempre modificam alguma coisa nas leis que regem a carga tributária em nosso país.

Apesar de ter certeza de que irei prestar exame para direito na UFPA, sendo que esta certeza somente existe pelo retorno financeiro da profissão e pela excitação em lidar com as leis (o que é grande paradoxo pra mim, que sempre fui meio marxista e sempre me agradaram as idéias anarquistas), não sei se vou suportar ficar sem me realizar artisticamente: escrever um livro de conto ou poesia, quem sabe crônica. As incertezas são muitas, mas espero encontrar felicidade nessa tormenta. Quero liberdade, amor, prazer, utopia, vinho e pão (parafraseando aquela música do Milton, Coração Civil).

Mudando um pouco de assunto (adoro fazer isso), lembrei-me agora daquele pintor americano, surrealista, Jackson Pollock (imagem), que, quando perguntado por uma jornalista sobre em que momento ele dava sua obra por concluída, perguntou à moça quando ela dava o ato sexual por concluído. A resposta, sabemos, é quando ocorria o êxtase, o gozo. Acho o mesmo que Pollock. Dou minhas tortas aglutinações de palavras como prontas quando me satisfaço, no zênite da coisa. Tá bom terminar por aqui.

P.S.: Prefiro não comentar a vergonha que me dá ao ver o noticiário local: gente morrendo nas ruas, morrendo dentro de hospital, no corredor, na pia, no chão... Que vergonha é ver nossa câmara municipal (mais especificamente sua presidência) combatendo CPI. É triste saber de tanta sujeira e ter que ficar calado e ver todos calados. Que macumba é essa, Dudu?

 

Escrito às 15h52min do dia 25/05/2009

Crédito da imagem: Jackson Pollock, Galaxy.

Interesses novos e velhos

Ao contrário do que postei há mais de um mês atrás, já no post scriptum, não irei falar sobre os desmandos de Dudu. Não que eu ache que ele já tenha sido espancado demais pela opinião pública, pela oposição na Câmara ou pelos jornais locais (que, aliás, são a opinião pública, mas é bom que se faça diferença entre Liberal, Diário e - sei que muitos o consideram inexpressivo, mas – Jornal Pessoal, a folha de Lúcio Flávio Pinto), mas é que já estou há muito sem postar e não queria que minha volta fosse ligada àquele falsário renomado, inapto mandatário de nosso município. E outra: eu sei que sempre é bom discutir nossos problemas diários (que estão se tornando diários problemas), entretanto eu não quero me tornar mais um “Espaço Aberto” ou “Quinta Emenda” da vida, até porque eles já fazem uma análise política, social e econômica a contento (muito bem mesmo, leiam).

Ah, antes de começar, me desculpem o atraso. O Pedro Nelito (ou Citadinokane) é um grande blogueiro, professor de Direito e admirador (e entendedor, diga-se) de literatura, música e futebol (três de minhas paixões, também). Achei o blog dele graças ao Quinta, e gostei pra garaio (expressão roubada do Pedro), mesmo. Disse que ia linkar o blog dele, ele leu aqui o Contra o Tempo, gostou, e eu deixei de postar. Então ele reclamou dessa minha demora (realmente, mais de um mês...). Já justifiquei (inclusive esse link é de um post sobre o meu blog, onde tem uma imagem muito BOA – muito obrigado pela divulgação, Pedro!!). E acho que o meu melhor pedido de desculpas é este texto.

Bem, creio que o assunto deverá interessar algumas pessoas, outras não, outras quiçá num futuro próximo (ou distante). É meio difícil de introduzir essa matéria, então vamos direto ao ponto: a sociedade patriarcal (e machista e blablabla) ainda sente muita dificuldade em aceitar que uma mulher mais velha se una a um homem (menino?) mais novo. Cheguei a essa afirmação não por acaso (mas isso não vem ao caso e caso você esteja lendo, meu caso, um beijão pra ti): dei uma pesquisada aqui pelo google em algumas reportagens e encontrei opiniões diversas. Gente que pensa que o cara quer se aproveitar da estabilidade afetiva e financeira de uma mulher mais velha; que justifica biologicamente esse fato, dizendo que a expectativa de vida da mulher é maior que a do homem, tendo ela, portanto, mais possibilidades de se relacionar com homens mais jovens; que diz que a mulher só procura por homens mais novos porque o “mercado”, quando se chega próximo dos quarenta, está bem menor (já que os homens dessa idade geralmente encontram-se comprometidos); entre outras (várias) explicações, na maioria das vezes preconceituosas e, mesmo quando saídas da boca de uma mulher, machistas.

A opinião que mais me interessou e a que eu julguei mais isenta foi a de Martha Medeiros (minha xará de sobrenome). Ela dizia que em toda a relação existe uma espécie de interesse. “Um casal que tenha a mesma idade tem ‘interesse’ em ter filhos, por exemplo. O que deve ser levado em conta nem é tanto a diferença de idade, e sim a diferença de necessidade: se um cara está se relacionando com uma mulher 20 ou 30 anos mais velha, não pode querer que ela lhe dê filhos, por exemplo”. E ainda fala daquela história batida do interesse financeiro engendrado pelo homem mais novo em relação à mulher mais velha: “não acredito que uma mulher de 60 com um garoto de 30 anos possa acusá-lo: “Ele se aproveitou de mim”. Que inocência é essa? Todo mundo aproveita a situação a seu modo, e isso não precisa ser lavrado em cartório, é um pacto silencioso.”

A minha intenção, prioritariamente, não era discutir esse tipo de relacionamento onde existe uma diferença gritante de geração, mas de idade apenas, uns 7, 8 anos no máximo (o que já é suficiente para relação correr a boca miúda). E acabei concluindo que diferença de idade não quer dizer nada porque ninguém nada quer dizer a respeito, o que não ocorre com a diferença de geração. O que vocês acharam da Suzana Vieira com aquele policial cheirador de pó? (todo mundo saiu comentando, jogando pedra nos dois) E a Julia Lemmertz com o Alexandre Borgesm (diferença mínima)? Vai ver que ninguém sabia que ela é mais velha 3 anos que ele (soube só agora, também). No meu ponto de vista, não creio que idade seja fator preponderante. Diferenças mínimas, como já disse, são imperceptíveis e não há por que ter medo. Agora, lógico, que em uma relação onde existam duas gerações distintas, existirá um momento em que isso irá pesar (principalmente estética e biologicamente). E quando isso acabar, ambos devem estar cientes de que não houve um afastamento porque tenha sido um relacionamento danoso, mas que foi chegada a hora em que os interesses se incompatibilizaram.

Mas, ainda assim, não satisfeito com essa conclusão, recorri a uma opinião superior, com noventa e três anos de experiência nas costas, de uma pessoa que viu passar, diante de suas córneas, democracias, ditaduras, guerrilhas, guerras, casos e causos de amores, paixões e afins, enfim, o patrimônio histórico-cultural de minha família: minha bisa, a marajoara “vó Sinhá” (ela odeia que a chamem de Raimunda Benassuly...). O conselho dela foi o mais engraçado porque ela aproveitou pra contar a história de uma tia (ou prima, não lembro), muito prendada (ou seja, costurava, cozinhava divinamente, lavava, passava, se perigasse ainda lambia o chão por que o marido andasse), que tinha casado com um homem mais novo e ela sofreu bastante, porque ele viva enfeitando a cabeça da coitada. E desfechou: “não te casa com mulher mais velha, porque vais fazê-la sofrer!”. A bisa está correta até certo ponto, mas o que queria destacar desse ponto de vista (um pouco simples demais) é o olhar voltado para a mulher, para o sofrimento da mulher, como se ela fosse ainda um ser frágil nesse tipo de relação, inocente mesmo, deixando-se levar pela conversa de um moleque. Mas é um argumento com algum mérito, já que é costume das pessoas mais velhas (principalmente de mulheres por volta da idade da minha bisavó) dedicarem-se a proteger os homens, mesmo que seja um posicionamento que as prejudique (para elas é importante manter aparências, incólume a imagem do homem, que é a representação máxima da família), o que não observei na interpretação da mais experiente mulher que conheço.

Agora, passo a bola pra quem quiser discutir um pouco isso, daqui em diante. Isso é mais gostoso pros psicanalistas, psicólogos, psiquiatras, psi, psi, psi... Falando em psique, é curioso ver um psi-alguma-coisa analisar o amor, os relacionamentos em geral, porque psique (alma, diretamente do grego, ou mens, mentis, que no latim significa também razão) sempre foi o oposto do amor, representado na mitologia por Eros (cupido, filho de Afrodite, deusa do amor, que gerou as atuais expressões referentes à palavra erotismo). Como algo exato e pragmático, como a razão, pode avaliar a instabilidade do amor? É um pouco contraditório, mas foi a única forma que encontramos para solucionar esse tipo de questão. Tudo tem um sentido sem sentido, algo de paradoxal em nossas relações. Talvez a contradição exista, porque precisamos de muita razão pra poder amar em paz, de verdade, perdidamente.

P.S.: Muito obrigado ao Pedro, por me incentivar a retornar. E pela divulgação foda!

P.S.2: Abraços e beijinhos a loraC, minha capoeirista predileta.

 

Escrito dia 21/04/09, às 13h38min

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